Portal Brasil

Unesco diz que organizações sociais no Brasil seguem modelo próprio

Levantamento diz que no País, organizações atuam de baixo para cima, sem intervenções de fora, motivadas por pessoas que nasceram e continuam morando em favelas


por Portal Brasil


publicado:
14/07/2015 16h39


última modificação:
14/07/2015 16h39

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) destacou que o Brasil tem modelo único no mundo de organizações sociais.  De acordo com o levantamento, as organizações sociais brasileiras atuam de baixo para cima, sem intervenções de fora, motivadas por pessoas que nasceram, cresceram e continuam morando em favelas. O estudo foi elaborado em parceria com a London School of Economics and Political Science (LSE).

A pesquisa, que durou três anos, abrangeu 204 entrevistas na Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), em Cantagalo, na zona sul, e em Vigário Geral e Madureira, na zona norte da cidade. Foram ouvidos pela pesquisa líderes, especialistas e parceiros de 130 organizações de desenvolvimento social. As organizações AfroReggae e Central Única das Favelas (Cufa) estão entre os projetos analisados.

A análise foi elaborada pela professora de psicologia social e diretora do mestrado em psicologia social e cultural da LSE, Sandra Jovchelovitch. O levantamento tem a coautoria da pesquisadora Jaqueline Priego Hernandez, também da instituição londrina.

Intervenções

“[Líderes] organizam a partir do nada os modelos de desenvolvimento social. Pelo mundo, os modelos são muito centrados em intervenções que vêm de fora. É por isso que muitas vezes essas intervenções fracassam, porque elas não são ligadas ao lugar”, disse Sandra.

Para a professora, as organizações que atuam no exterior muitas vezes não têm a conexão com a identidade e a sabedoria do lugar onde atuam. “Aqui no Rio de Janeiro estes movimentos são muito orgânicos, muito vinculados”, disse.

Segundo a diretora da LSE, o que mais chamou atenção no estudo foi a preocupação dos moradores das favelas em trabalhar positivamente a imagem da comunidade. “Eles têm um projeto muito positivo de transformar a forma como são vistos. Para isso, atuam junto com a mídia, com o setor privado, com o governo, com estatais”, acrescentou.

Fonte:

Agência Brasil